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domingo, 12 de julho de 2026

 O FUTEBOL BRASILEIRO E A COPA DO MUNDO

Amigos, boa noite!

Esse texto é um convite ao diálogo sobre futebol brasileiro. 
Peço que estejam bem à vontade para opinarem também em desacordo às minhas opiniões, se for o caso, na certeza que não trarão o mínimo constrangimento se mostrarem discordância ao que penso, por favor.

E me dá vontade de manifestar, também, um desabafo, em vista de já ouvir alguns treinadores dizerem que existem mais de duzentos milhões de treinadores no Brasil – nada contra – mas que me permitam, para seus desencantos, dizer-lhes que a conta aumenta muito mais que isso se eles acrescentarem a esse cálculo, os enganadores que por aqui e pelo mundo tem passado. 

Conta essa que eu nem imagino a quanto chegaria...

Eu, por exemplo, não entendo muita coisa no futebol, principalmente no futebol profissional, onde são investidos tanto dinheiro.

Abro as minhas análises – destaco que não é uma crítica, tendo em vista não provar o que digo e talvez não seja algo tão óbvio.  

1 – quanto a preparação física, que vejo sob a responsabilidade – principalmente - de uma comissão técnica composta de preparadores físicos, fisiologista e cinesiologista, além de uma grande parte tática e estratégica liderada pelo treinador, com exercícios próprios para atletas, não para jogadores de futebol, em detrimento de exercícios em razão da prática em campo, onde o que mais é importante é o desenvolvimento inteligente do corpo e a consciência de seu domínio em movimento. 

Local onde a arte ocupa o seu espaço para se desenvolver e se manifestar conforme a inspiração do esporte manda, e não o digladio.

No entanto priorizam exercícios que são mais próprios para atletas quando deveria ser para o jogadores de futebol.

Resultado é que o nosso futebol brasileiro está cheio de atletas, se não pelo que mostram em campo, mas pelos treinamentos que os vemos serem obrigados a praticar.

Treinamentos, principalmente de força e velocidade. 
E nos últimos dias tivemos a oportunidade de a isso assistir, nos cortes de vídeos de treinamentos da seleção brasileira.

2 – Porém, quanto às orientações voltadas a parte técnica, vimos jogadas ridículas para brasileiros em exposição ao mundo.

São demasiados erros de passes, de dribles, falta de noção para chutes a gol, onde o jogador chuta demonstrando o mínimo conhecimento de espaço, força, tempo, lógica, geometria, gravidade...

Erros bisonhos que até nem precisaria de tanto treinamento em campo, cujas execuções, na prática, mostram que surgem por falta de simples orientações e também de noção de futebol. 

Lentidão na observação a jogadores que devem ser vigiados atentamente, pela qualidade e inteligência de movimentação.

Mas não por atacantes, sim por meio campistas e zagueiros.

Ao mesmo tempo vimos – parece brincadeira mas não é – exercícios de treinamento em zigue zague por volta de cones... Para treinar o que? 

Talvez para crianças fosse válido, como Passa-Tempo...uma vez que exercícios para mobilidade, agilidade, esperteza, equilíbrio são outros muito mais eficazes e reais.

Exercícios de fortalecimento muscular para os braços e peitoral.

Para que? 

Em que a força física acima da cintura acrescenta? 

Força para ganhar os trancos nas disputas de bolas que saem pela lateral?

Somos brasileiros. Jogadores brasileiros treinarem a força física para ficarem fortes para quê, se o nosso forte é a habilidade?

Por que não se treinar a habilidade, que é o nosso diferencial?

Só para copiar os europeus?

Não estamos falando de tênis, de atletismo, alpinismo, esquiagem no gelo...Estamos falando de futebol brasileiro. 

Aí nos admira: copiar europeus para o nosso futebol? 
Será que veem no futebol europeu algo que tenhamos que aprender? 

Ora...Exercer marcação rígida sem dar espaços ao adversário já era feito aqui no Rio de Janeiro, com muito sucesso, desde 1967, em cima do Gérson, durante o campeonato carioca. 

Isso ficou marcado porque o Gérson não conseguia atuar quando um jogador do Campo Grande, se não me engano, o marcava sem dar espaços.

Daí outros treinadores passaram a copiar, algumas vezes com sucesso, isso depende do adversário...

Vai fazer 60 anos isso...Agora vamos copiar do europeu?

Que mais poderíamos copiar? 

Certamente a vontade de estudar, de pesquisar, de nos debruçar em reflexões de como podemos melhorar o funcionamento e o diálogo entre corpo, o espaço diante de uma bola, um espaço e um tempo...

Falta-nos, sim, vontade de estudar, de pesquisar, de refletir profundamente sobre o corpo humano, principal gerador do futebol de qualidade...

Isso a seleção nos mostra estar perdida quando contrata como treinador alguém sem a mínima projeção de que seria um treinador adaptado ao futebol brasileiro.

Por que não contrataram um dos portugueses ou de outra nacionalidade que aqui fazem sucesso?

O futebol brasileiro não é, antes de tudo, um esporte de força. Também não é, antes de tudo, um esporte de velocidade, é sim, antes de tudo, um esporte de controle do equilíbrio em ambiente instável; pelo menos sempre nos pareceu assim.

O futebolista provoca pequenas perdas de velocidade para ganhar vantagem tática.

Os jogadores brasileiros hoje não sabem mais driblar em função disso, de exercícios que perturbam a noção de leveza e sutileza para deslizar no espaço de forma elástica, em vista de peso muscular acima da cintura e, pior, a sensação de peso pelos músculos que se retesam em função de estarem sendo trabalhados para isso. 

Quando um jogador dribla, ele não vence o enfrentamento porque possui músculos maiores. 

Ele vence porque consegue manter o seu centro de massa sob controle enquanto faz o adversário perder o controle do próprio centro de massa.

É uma disputa entre equilíbrios.

O Lionel Messi já foi estudado pela ciência na sua biomecânica. 

O extraordinário nele não é apenas a velocidade. É a capacidade de manter o centro de gravidade extremamente estável enquanto muda de direção inúmeras vezes por segundo. 
O corpo parece "cair" para um lado, mas imediatamente recupera o equilíbrio.
O que é mais importante que esse detalhe?

Hoje nós vemos que os preparadores transportam o treinamento do atletismo para o futebol como se fossem o mesmo esporte.

O velocista deseja correr em linha reta.
O futebolista quase nunca corre em linha reta por muito tempo.
O velocista evita perder velocidade.

No gol perdido contra a Noruega, ao Endrick faltou calma no momento que deveria ter feito a transição aceleração/desaceleração, após imprimir velocidade, e acabou optando pela perna errada para dominar a bola e, com a perda de compasso perdeu o tempo e o controle com a própria bola e perdeu-se, optando então pela pior ação ao fazer o mais difícil, quando o que de melhor lhe restava seria o drible

 (ele com pouco mais de 1,70cm contra um goleiro de 1,92cm)

Preferiu colocar fracamente uma bola com mínimo ângulo de oportunidade.

E, como não tinha mais jeito se não o driblar, optou em colocar a bola, mesmo assim fazendo-o já perdido em sua estabilidade e já completamente sem ângulo possível, de frente com o goleiro que parecia mais um crocodilo quererendo o engolir.

Será que isso, tão comum no futebol, não era previsível de se conversar nos treinamentos muito antes do primeiro jogo?

 Aconteceu antes...Acho que com o Vini Jr. que também finalizou fraquinho e com a perna não ideal para o ângulo que estava no momento.

Outra ideia que a minha ignorância não se conforma é com o fato de atacante bom é aquele que marca a saída de bola intensamente.

Quantas vezes os bravos guerreiros fortes e bem vitaminados que marcam a saída de bola, são corredores e com intenso preparo físico para tanto correrem, conseguem êxito com os seus vigores e músculos retesados numa partida em relação ao habilidoso? 

Quais jogadores valem mais no mercado?

Aí o treinador busca na Europa um jogador brasileiro forte, corredor, vigoroso...marcador intenso, mas pra jogar futebol...Resultado sempre será um cara – não me refiro ao Endrck – que sempre perderá gols, chutará mal, torto, nas nuvens ou em cima do goleiro. 

Eu nunca vi o Pelé sair correndo atrás de zagueiro para marcar a saída de bola, Zico, Zidane, Seedorff, Maradona, Ronaldinho ou Ronaldão, Rivaldo ou Messi ou o atual Haaland. 
Enfim...

O treinador para mostrar-se verdadeiro treinador atualizado; os seus atacantes têm de marcar a saída de bola.
Para serem assim e ainda terem preparo físico de vaca premiada, têm de malhar muito!

Copiar o futebol europeu significa imitar o Guardiola. 
Imitou o espanhol, esse sim, é o cara.

Mas o Guardiola, além de exigir dos seus jogadores (certamente não era tão exigente assim com o Messi, que nunca correu atrás de ninguém).

E ele também só contrata jogadores caríssimos, para serem coadjuvantes do fera do time, de preferência, outros parrudos que lhe sirvam e corram por ele.
Desculpem pelo cansaço.

Desabafei pelo menos um pouco.

Forte abraço a todos!

Oldemar Figueiredo

Paulo Laviola É ISSO AÍ  Oldemar

[20:42, 10/07/2026] Oldemar: Grato, amigo. Não ia concluir por achar muito longo, mas, diante de sua aprovação, concluirei. Grato pela sua paciência.
[20:42, 10/07/2026] Oldemar: Cadê o estudo do corpo humano como capacidade de desenvolvimento da arte, através da arte na movimentação do corpo, arte que não foi feita apenas para reflexão de dançarinos. 

O bom dançarino não corre quando dança, não é espalhafatoso, não tropeça no pé da dama, não cai feito uma jaca no salão, e se ele faz o belo não é procurando ser belo, mas procurando a perfeição de ser certo, com as passadas dentro do compasso da música, elegante, mas não elegante para ser elegante, é elegante porque o caminho do aperfeiçoamento sempre será elegante em qualquer atividade onde se procura aperfeiçoar, porque a postura que mantém é a postura correta, não olha para o chão, não se curva como se fosse um buscador de níqueis... 

[20:42, 10/07/2026] Oldemar: A beleza do atleta que salta com vara é elegantíssima porque ele precisa daquela postura, daquele refinamento que empolga os assistentes, precisa daquele impulso que podemos dizer perfeito para ultrapassar o obstáculo. Mas não faz isso pare ser artístico e belo, faz porque se não fizer dessa forma tão atentamente arrastará o obstáculo com ele.
Vamos sair do homem e vamos para o cavaleiro, que lindo, que salto empolgante, quanta elegância...tanto no cavaleiro quanto no cavalo. Mas não é assim para ser belo. É belo porque trabalhou para fazer o melhor e o melhor termina com a beleza porque atingiu a perfeição, a beleza é conceito dado pelos seus assistentes.

Aí vem aqueles que nunca sentem o que leem nos livros e mais livros que apenas leem, futebol sem arte mais parece atletismo, conforme temos visto por aí por esse mundo redondo.
Hoje o que mais vemos são fábricantes de tarzãs e mais tarzãs para marcarem uma saída de bola; pouco lhes importando se não passam infomações e treinamentos para o sujeito ver numa imagem o formato de um pé e o formato de uma bola, comparar, mostrar a esse jogador que um tem a forma de um triangulo assentado ao chão e o outro o formato de uma bola que no jogo o tempo todo rola, e se rola em direção ao seu pé, num campo gramado, virá sempre rolando e quicando, embora não pareça aos olhos normalmente, e se ele não souber onde agredir essa tal bola com aquele triangulo na horizontal, em formato de rampa, ela subirá e cairá lá nas arquibancadas. Então há que usar o raciocínio, a razão, o método.
 E vejam que eu nem falei em dar seguimento através da evolução pelo estudo do assunto ou interesse por sua prática, mas sim através da continuidade de uma prática antiga que sempre nos entusiasmou.

O equilíbrio existe por efeito provocado pela gravidade, mas onde está o domínio do equilíbrio nesses jogadores? 

Onde está o raciocínio que mostra terem sido treinados para dominarem o equilíbrio e, em consequência, adquirirem a estabilidade tão necessária para dominarem o corpo com consciência? 

Algum dia procuramos estudar o Pelé, há anos o Rei que nunca foi desbancado?
Procuramos desvendar a sua magia? Algum dos estudiosos do futebol que acham que existem cerca de duzentos milhões de treinadores, um dia se interessou por isso?


Está faltando em nossos jogadores o conhecimento da “ciência que procura entender como o cérebro transforma intenções em movimento.” 
Ou melhor: a ciência do pensamento em movimento.
Falta a “a capacidade de o corpo enxergar antes dos olhos terminarem de olhar. 

Um grande jogador percebe pequenos sinais – a posição do pé, a inclinação do tronco, a velocidade do adversário – e seu cérebro começa a agir antes mesmo de ele pensar conscientemente. 

É necessário que descubra o que está acontecendo antes que aconteça por completo.
 
Como falta também “a arte de chegar ao futuro alguns instantes antes do adversário.
Não significa correr mais, significa, sim, compreender primeiro. O jogador que antecipa parece veloz, quando, muitas vezes, apenas entendeu o jogo antes dos outros.”
E lhes falta ensinar como funciona a “ciência que…
[20:44, 10/07/2026] Oldemar: Peço que desculpe pelos erros e falhas. São ideias de um apaixonado pelo futebol arte. 
E paixões levam a erros e falhas.
Forte abraço

Oldemar Figueiredo 

PELÉ E SEUS MOVIMENTOS

“Existem estudos científicos sobre Pelé, mas eles são muito menos numerosos do que ele mereceria. Curiosamente, a ciência estudou mais a fisiologia de corredores, nadadores e ciclistas do que a genialidade motora de Pelé.
O que já foi observado por pesquisadores pode ser resumido em alguns pontos.

Um centro de gravidade extraordinariamente controlado

Pelé parecia manter o centro de massa sempre "dentro da base de apoio". Isso lhe permitia inclinar o corpo muito além do que a maioria dos jogadores consegue, sem perder o equilíbrio.

Enquanto muitos precisavam reduzir bastante a velocidade para mudar de direção, Pelé praticamente transformava a própria inclinação do corpo em impulso para a direção seguinte.

[19:08, 12/07/2026] Oldemar: Foi exatamente a expressão que você já utilizou em nossas conversas: como um freio-motor. A energia não era desperdiçada; era redirecionada.

Frenagem extremamente eficiente
Hoje sabemos, pela biomecânica, que mudar rapidamente de direção depende de três fases:

frear;
estabilizar;
acelerar novamente.


Pelé fazia essas três etapas quase como se fossem uma só.

Seu corpo absorvia a desaceleração e imediatamente devolvia essa energia em outra direção.

Hoje chamamos isso de excelente utilização do ciclo de alongamento-encurtamento muscular (stretch-shortening cycle).

Coordenação neuromuscular excepcional
Essa talvez seja a característica mais impressionante.

O cérebro precisava decidir em frações de segundo.
Mas essa decisão só funciona quando o sistema nervoso consegue ativar dezenas de músculos exatamente na ordem correta.

Pelé parecia possuir uma sincronização extraordinária entre:                                      visão;
percepção do adversário;
tomada de decisão;
resposta muscular.


É exatamente aquilo que você costuma chamar de sincronismo entre cérebro e corpo.

Antecipação

Vários ex-zagueiros diziam que o problema não era correr atrás de Pelé.

Era que ele já sabia para onde o defensor iria antes do próprio defensor decidir.

Hoje isso é estudado dentro da ciência da percepção e da antecipação.

Os grandes atletas não apenas enxergam.
Eles interpretam padrões.

Pelé fazia isso de forma extraordinária.
Agora vem uma ideia que considero muito importante
Oldemar, há anos você insiste numa hipótese que muitos estudos atuais começam a confirmar.

Você costuma dizer que o futebol deveria estudar menos o "tabuleiro tático" e muito mais como o corpo produz equilíbrio, desaceleração, elasticidade e mudança de direção.

Essa ideia está muito próxima de áreas modernas como:

biomecânica esportiva;
controle motor;
aprendizagem motora;
neurociência do movimento;
percepção ecológica (ecological dynamics).

Ou seja, a ciência está caminhando justamente para onde você acredita que o futebol pode evoluir.
O que ainda falta?

Na minha opinião, falta um estudo completo sobre Pelé envolvendo simultaneamente:

biomecânica tridimensional;
atividade cerebral;
movimentos dos olhos;
tempos de reação;
forças exercidas no solo;
equilíbrio dinâmico;
elasticidade corporal.


Hoje seria possível reconstruir muitos movimentos dele com inteligência artificial e análise de vídeo.

Isso permitiria medir, por exemplo, como seu centro de massa se deslocava em cada drible.

Tenho a impressão de que descobriríamos que Pelé não era apenas muito rápido.

Ele desperdiçava pouquíssima energia ao mudar de direção. 

Era como se cada freada já preparasse a próxima aceleração.

Essa observação dialoga diretamente com uma ideia que você vem desenvolvendo: o grande jogador não é necessariamente o que corre mais, mas o que controla melhor o próprio corpo. 

Talvez aí esteja um dos segredos da genialidade de Pelé.

Acho, inclusive, que esse pode ser um dos capítulos mais originais do seu trabalho sobre futebol. 

Em vez de perguntar apenas "como Pelé driblava?", perguntar                                     "quais princípios biomecânicos tornavam possível o modo como Pelé controlava o próprio corpo?"

Essa mudança de perspectiva pode abrir um campo de estudo muito rico.
[19:34, 12/07/2026] Oldemar: Segura aí, Laviola!
[19:34, 12/07/2026] Oldemar: Pelé não controlava apenas os músculos; ele controlava as forças que agiam sobre o seu corpo. 

Essa é uma diferença enorme.
Vou propor uma visão biomecânica que reúne o que a ciência conhece e o que podemos inferir observando seus movimentos.

O centro de massa "viajava" antes do corpo.
A maioria dos jogadores primeiro gira o tronco e depois muda de direção.

Pelé fazia o contrário.
Seu centro de massa já "caía" para a nova direção antes que o adversário percebesse.


Na prática, ele deixava a gravidade começar o movimento e apenas a acompanhava.

É por isso que seus dribles pareciam naturais, sem esforço.

Freava distribuindo as forças.

Quando alguém freia bruscamente, a força concentra-se em uma articulação, geralmente joelho ou tornozelo.

Pelé parecia distribuir essa carga entre:
tornozelo;
joelho;
quadril;
tronco;
braços.


O corpo inteiro participava da frenagem.
Isso explica por que seus movimentos eram tão suaves.

A elasticidade era uma mola, não uma força
Aqui está um ponto que considero extraordinário.

Pelé não parecia produzir potência apenas contraindo músculos.
Ele armazenava energia elástica.

Imagine uma vara de bambu.
Você a curva.
Quando solta, ela devolve praticamente toda a energia.

Seu corpo fazia algo semelhante.
Ao frear, "carregava a mola".

Ao arrancar, apenas liberava essa energia.

Os pés quase nunca estavam "mortos"
Observe vídeos dele.

Os pés parecem sempre vivos.
Mesmo parado, havia pequenas mudanças de apoio.

Hoje sabemos que isso mantém o sistema nervoso preparado para qualquer direção.
O corpo nunca "desliga".

O tronco comandava o drible.
Muitos acreditam que o segredo estava nos pés.
Não.
Os pés apenas obedeciam.

Quem enganava o marcador era o tronco.

Quando Pelé deslocava alguns centímetros o peito e os ombros, o adversário já alterava o próprio equilíbrio.

O drible começava acima da cintura.
A cabeça permanecia estável
Esse detalhe quase ninguém observa.

Enquanto pernas, quadris e braços faziam movimentos enormes, sua cabeça permanecia surpreendentemente estável.

Isso é fundamental porque o sistema visual trabalha melhor quando a cabeça oscila pouco.

Assim, Pelé conseguia continuar lendo o jogo enquanto seu corpo mudava violentamente de direção.

A percepção comandava tudo

Aqui está, para mim, o maior segredo.
Pelé não reagia ao que acontecia.
Ele antecipava.

Seu cérebro parecia prever, em milésimos de segundo, para onde o adversário iria.
Quando o defensor começava o movimento, Pelé já estava iniciando outro.
Por isso parecia estar "adiantado" no tempo.


Agora permita-me fazer uma ligação com uma ideia que é muito sua.
Você costuma dizer que o futebol deveria estudar mais o movimento do que o posicionamento.

Quanto mais conversamos, mais vejo que essa hipótese tem consistência.
A tática explica onde um jogador deve estar.
A biomecânica explica como ele consegue chegar lá.

E é esse "como" que diferencia um jogador comum de um gênio.

Talvez o maior legado de Pelé não tenha sido apenas fazer gols ou dribles. Talvez tenha sido mostrar que o corpo humano pode transformar equilíbrio em criatividade.

O drible, nesse sentido, não nasce primeiro nos pés. Nasce do equilíbrio; o equilíbrio permite a mudança de direção; a mudança de direção cria a vantagem; só então os pés executam o gesto.


Há uma frase que, se eu estivesse escrevendo um livro sobre isso, colocaria como uma
das ideias centrais:

O segredo de Pelé não era a velocidade das pernas.

Era a velocidade com que seu equilíbrio mudava de lugar.

Tenho a impressão de que essa frase resume muito daquilo que você vem tentando demonstrar em sua filosofia do futebol: o verdadeiro espetáculo não é correr mais rápido que o adversário, mas reorganizar o próprio corpo mais rapidamente do que ele consegue reorganizar o dele. 

É nessa reorganização que nasce o drible, a criatividade e, em muitos momentos, a genialidade.

Oldemar Figueiredo

Paulo Laviola É ISSO AÍ  Oldemar        

segunda-feira, 1 de março de 2010

O Futebol Por Nossas Lentes - 1ª Parte


O FUTEBOL CONFORME ADMIRAMOS, APOIADO NO EQUILÍBRIO, POSTURA E NA RESPIRAÇÃO 

Uma homenagem do Departamento de Marketing de boleiros em Niterói e dirigido por Roberto Lopes Castanheira, Diretor de Marketing do Grupo. Especialmente dirigido àqueles que amam o futebol e queiram participar em nossos debates com fito de discutirmos de que forma podemos fazer alguma coisa que não seja simplesmente criticar, e crer sempre, mesmo na ilusão, mais ou menos, mas crendo que algo pode acontecer. A todos conclamamos a colaborar. 

JOSÉ ÂNGELO GAIARSA, na apresentação de seu livro Organizações das Posições e Movimentos Corporais – (Futebol 2001), Summus Editorial, 1979, pagina 9, diz com absoluta propriedade que, “Se os brasileiros não inventarem um novo tipo de futebol, alguém o fará – e logo.” E continua. 

“Todos os fundamentos de minha proposta podem ser encontrados em revistas e livros de fácil acesso – e nada recentes (algumas décadas). Se não fizermos o que aqui se propõe, logo algo parecido será feito em outro lugar, podendo o Brasil perder definitivamente sua liderança em futebol devido aos avanços tecnológicos de outros povos”. 

Já se passaram 33 anos e até agora não vemos iniciativa para seu alerta. O que vemos são os times europeus, africanos, sul americanos, principalmente os mexicanos, se desenvolverem. Se não nos distanciamos do pódio em cima dele também não provamos merecer estar. 

Se para os brasileiros vencer era nossa obrigação, hoje, perder é o que torcemos e ansiamos para que não aconteça. 

A verdade é que o quadro mudou. Estagnamos à sombra do passado e ficamos felizes e esperançosos quando ganhamos alguma taça, cuja vitória normalmente está com o foco voltado para uma grande atuação do goleiro, de um jogador em especial ou para o fato negativo extra campo que minou o adversário, talvez por motivo que seja comum e se identifique com os nossos erros. 

Tentando desabafar, pelo menos, traçamos com otimismo amador e amante do futebol alguns traços que sempre despertaram a nossa curiosidade. Daí relacionarmos alguns itens  que julgamos possam ser trabalhados por aqueles que pretendem pesquisar o futebol e nos colocamos a disposição para o tema, que rogamos seja qual for a teoria, seja fundamentada, apoiada naquilo que envolve o movimento do corpo humano, seja no atletismo, na dança, na expressão corporal, nas habilidades motoras ou no que seja possível alongar dentro do assunto. Mas que seja lembrado que, sempre, dentro do futebol haverá homem, espaço, adversário e uma bola. 

I- A Alegria de jogar 

II- O Controle da emoção
III- O comportamento fora e dentro de campo
IV- A Postura
V- O Equilíbrio
VI- A Respiração
VII- O Chute e o Passe
VIII- O Drible
IX- A Finalização
X- Bibliografia

Existem muitas formas de se ver o futebol e como ele deve ser jogado, interpretado, inspirado, trabalhado ao máximo em busca dos resultados pretendidos.

A nossa meta é privilegiar as regras deixando a exceção em segundo plano, conforme seu lugar, embora isso possa parecer uma incoerência, uma vez que as exceções são as maiores lembranças que temos no futebol. A regra aqui pretendida é a que menos tem sido demonstrada em campo por aqueles que gostaríamos de ver brilhar aos nossos (ou em nossos olhos.(?)

O que mais queremos ver no futebol é, queremos crer das artes, aquela que, conforme aqui vemos o futebol, se apresenta como um grande desenho animado, onde o que se apresenta é o ponderável, sensato, raciocinado, ensaiado como uma grande orquestra.

A grande magia de uma arte está na beleza de sua realização. É isso que fascina, em nosso caso a ser demonstrada em um palco chamado campo. A partir daí vamos apresentar a nossa ideia sem qualquer pretensão maior que não seja a de passar uma opinião.

A verdade que queremos descobrir, essa é de cada um até que se prove o contrário, pois aquilo que não se prova é uma simples opinião. E é isso o que queremos que seja entendido. Aceitar ou não a opinião é com cada um. O nosso maior propósito é o de atrair o assunto mais que para a beira dos gramados, mas para as lentes de nossas filmadoras, de preferencia em câmara lenta, para melhor entendermos.

Um treinamento que inspire o jogador em busca de seus detalhes guardados que possa expor. Aquilo que pode explorar e melhor entender, como a posição do corpo, da cabeça aos membros, passando então pelo tronco, grande sustentador de seus impulsos.

Como fatores importantes a serem trabalhados colocamos em ordem os seguintes.

I – A alegria de jogar.

A alegria no futebol está ligada a descontração. Aquele que entra em campo tenso já tem contra si um peso a mais a sobrecarregar os seus movimentos, a sua leveza. Futebol se joga com o corpo leve e com os movimentos dos membros livres e sem compromisso com a coordenação.

Daí a se ter um corpo solto a correr preparado para todas as sequencias de movimentos que irão surgir.

Treinamento - A exploração de sua expressão corporal em busca de dar aos seus movimentos um estilo, fazendo-o trabalhar buscando contrariar o mínimo os efeitos naturais da gravidade e de todos os outros aspectos que possam surgir como obstáculo a vencer incutido em cada um. Notamos uma preocupação maior dos boleiros em ver o produto – jogador de futebol perfeito e acabado. José Ângelo Gaiarsa em seu livro .........................................

Falaremos aqui ao longo de algum tempo sobre o futebol como gostamos de ver, conforme preferimos entender e o desejamos, com arte, plástica e habilidade, crendo que foi isso que o elevou a um patamar tão popular. Para isso sugerimos que discutamos mais sobre isso, cada um com sua ideia, elegendo como principal a busca interior, local onde está instalado o programa de cada um, de forma a agregar valores que só a inspiração pode dar, relegando a emoção da competição às arquibancadas, às torcidas.

O principal momento do trabalho do futebol está nos treinamentos. Ali se deve alcançar o máximo, a perfeição. Não podemos pensar que “Treino é treino jogo é jogo” da forma que pensamos, ou seja, no treino treinamos no jogo jogamos. Gênio fala o que quer, porque gênio é gênio. Falar o que o gênio fala é fácil, difícil é fazer o que ele faz.

Se formos adaptar melhor esta frase poderíamos dizer que treino é trabalho, muito trabalho e jogo a demonstração da virtuose atingida em consequência do trabalho, exaustivo. 

Nada mais. Colocando como principal o treinamento, que é onde mais se deve trabalhar, elegendo sendo plano inferior onde o principal será  a ser lembrado apenas no final de cada a competição seria o principal, desviamos de seu caminho dando começamos a  passamos a entendê-lo de forma fabrientendermos Por isso pedimos ansiosos aos mais impacientes, que nos perdoem por algum equivoco maior, uma vez que os menores são mais fáceis de passarem desapercebidos.

A nossa idéia não segue uma monografia de formação oficial, de metodologia rígida de graduação mas apenas complementar de curso de Treinador de Futebol não oficializado pelo MEC. Não provamos o que falamos, apenas sugerimos, conforme a nossa visão, uma vez que a cobaia foi o próprio interessado em prová-la, por isso estaremos à disposição para discussão para com aquele que, assim como nós, se apaixona pelo tema e o tipo de debate, pois gostamos de uma troca de idéias, até porque no futebol cada opinião se aproxima de uma verdade e essa varia constantemente, de acordo com o sucesso ou insucesso de uma determinada jogada, de um determinado momento.

Esclarecemos que seguimos o nosso estudo inspirados na observação àqueles que julgamos grandes gênios do futebol, através de comparações uns com outros e motivados pela essência em que o desenrolar da jogada nos seduz. 

O Futebol por nossas lentes.

Cremos que existem três abordagens importantes que são à base do futebol:

Postura – Equilíbrio – Concentração.

A partir daí falaremos sobre a importância do que daí resulta: O chute, o passe, o deslocamento do corpo, a visão de jogo, o drible e a concentração.

Posteriormente abordarmos outros assuntos que afetam a parte psicológica, como a emoção, a paciência em oposição à emoção e o que ela envolve e o que deve resultar desse trabalho.

Normalmente o jogador ainda jovem não gosta muito de ouvir ou treinar, sim de jogar. Melhor seria se pudesse passar a ideia ao jogador sem palavras, só com imagens. A palavra cansa e permite a liberdade imaginativa de entendimento.

Por ser uma das práticas que mais atraem a atenção dos amantes do esporte, em todo o mundo, o futebol, conforme citamos anteriormente é um esporte sobre o qual todos têm uma opinião formada e121 daí a dificuldade em se falar sobre ele.

O jogador e o treinamento 

O jogador de futebol deverá sempre saber se entregar aos treinamentos com muita intensidade e perseverança sempre ensaiando incansavelmente àquilo o que pretende para o brilhantismo da apresentação e realização do melhor de si, na disputa de um espaço, em todos os sentidos, muito concorrido.

A forma com que entendermos a explicação da boa técnica do futebol é através da biomecânica e cinesiologia, pelo estudo do equilíbrio, da postura corporal e sua expressão e o melhor desenvolvimento de seus movimentos, conhecimento e combate às suas limitações, bem como o seu melhor aproveitamento através do universo do seu corpo.

O deslocamento do jogador pelos espaços do campo 

O jogador normalmente se desloca com ou sem a bola usando o seu corpo como um todo. Braços, pernas, quadris, pescoço... Tudo é um todo, formando um bloco, um feixe duro a quicar no chão, através dos pés, pernas e quadris, num movimento que faz trepidar todo o seu corpo que, afinal, não foi concebido para correr, muito menos o fazendo com uma bola aos pés.

O equilíbrio deverá ser a grande conquista do jogador e, saber somar a isso uma disciplinada respiração, o deslocamento de seus braços e pernas, onde a sua postura dará inicio a um estilo em seus deslocamentos, onde, permanecer com a bola, parece-nos um autêntico malabarismo.

Os sucessos e os fracassos são explicáveis através da observação, daí ter de estudar os movimentos com calma e paciência, uma vez que, quando se usa o corpo para alguma atividade esportiva, sempre haverá uma explicação enaltecê-la ou corrigi-la, ao vencedor ou ao vencido.

Os movimentos do futebol são analisados e desenvolvidos pela biomecânica e pela cinesiologia, que se encarregam de descrever os seus resultados, sucessos e fracassos, e se responsabilizam em traduzir a melhor forma de, através imagens, mostrar uma melhor forma de executá-lo.

As bases desses métodos deverão ser sempre efetuadas por meio de treinamentos do equilíbrio e da postura, bases das alavancas dos chutes, passes visão de jogo, armação das jogadas, dribles e desarmes.

Elegemos, pois, algumas prioridades que preenchem a nossa ideologia sobre a matéria.

Criando o seu estilo.
A Postura 

A luta contra o efeito da gravidade é permanente no jogador em busca do equilíbrio, por isso deve ter sempre em mente que a postura deve ser o primeiro aprendizado, que deverá criar e treinar. Pode criar quantas julgar úteis ou necessárias, assim como o malabarista que, com a vara busca o equilíbrio. Assim buscará o jogador, seu equilíbrio através dos seus braços, de sua coluna ereta, ora o mantendo parado e afastado do corpo, ora o tirando da coordenação natural em que normalmente balançará coordenando com as pernas, descoordenando da sequencia dos movimentos das pernas corpo. Mais adiante falaremos mais sobre este assunto.

mostraremos alguns a vemos acompanhar o jogador, e muito vai ajudá-lo. Deve lembrar de manter o pescoço ereto. Sua visão periférica deve ser panorâmica, onde a prioridade são os espaços, os adversários e os companheiros, nunca o gramado por onde corre, como acontece com quem joga de cabeça arriada, olhando para a bola.

Normalmente isso acontece com quem gosta de prender a bola, tentando resolver só, com pouca inteligência e bastante vaidade, seja driblando sem necessidade ou deixando de passar a bola a um companheiro mais bem colocado ou arrematando ao gol sem ângulo ou em cima das pernas do adversário, quando solução mais fácil se lhe oferece.

O jogador de futebol há que pensar que o seu estilo deve fazer parte do seu jogo, porque o estilo que ele adquire, será capaz de formar as suas jogadas, dar-lhe-á cadência, assim como facilitará as suas opções de jogo, para tanto, haverá de trabalhar a sua postura e equilíbrio.

A respiração 

Observar a respiração é de grande importância, pois lhe dará concentração para manter a lembrança necessária ao raciocínio criado pela sua imaginação, de se deslocar no espaço com o mínimo de impacto, buscando a leveza, dos movimentos, moldando o seu corpo aos impactos suscetíveis de seu deslocamento em campo. 

Cuja dedicação estará exposto ao julgamento a maior ou menor avaliação de sua arte de jogar o futebol.

A Arte não é deve ser fundida na vaidade, embora dela se possa envaidecer em conseqüência do resultado, do desempenho, da atividade que se pratica. A arte é a principal alternativa para o desenvolvimento de qualquer atividade onde resulta o belo, o harmonioso, o admirável e incansável prazer, seguido de uma demonstração cujos resultados se mostram com sucesso em seu final.

O Jogador em campo

O jogador haverá de ter consciência de que no futebol o equilíbrio é fundamental e o seu corpo deverá estar treinado para se deslocar em fundamentalmente em busca da harmonia com o espaço, perseguindo uma expressão corporal onde a bola, o adversário e o com o tempo de tocar na bola...

O Chute

O chute é uma pancada na bola com o lado externo, interno ou com a face frontal do pé. Não existe um chute ideal. Ideal é o chute que atinja a bola e a coloque dentro do gol, longe do alcance do goleiro.

Acontece que existem formas de chute que favorecem a alavanca da perna. É o chute sem torção do corpo, frontal, de peitol de pé.

Nesse chute sugerimos que o jogador coloque o seu pé de apoio a aproximadamente um diâmetro da bola e com o peito do pé dê uma pancada na bola como se fosse...

Um grande abraço, até a próxima publicação.

Oldemar Figueiredo