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terça-feira, 5 de agosto de 2014

NAS CONVULSÕES 
DO SÉCULO XX
Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro: Sentinelas da Luz. Lição nº 08. Página 46.

Não bastaram as torrentes do infortúnio que as grandes guerras do século lançaram sobre os vales do mundo.
Acordando, estremunhada, de horrível pesadelo, que perdurou por mais de dois mil dias, e embora os lares desertos, os campos talados, as arcas empobrecidas e as prisões repletas, arregimenta-se a coletividade planetária para novos embates de cegueira e destruição.
Amontoam-se pesadas nuvens nos céus do Oriente e do Ocidente...
Quem impedirá a tempestade de suor e lágrimas?!...
Época de profundas aflições, dir-se-ia encontrarmos no século XX o fruto de sangue de dezesseis séculos de menosprezo à luz espiritual.
Desde Constantino, o Cristianismo puro sofre a intromissão egoística de humanos interesses.
Sempre a ofensiva das trevas contra a luz, as arremetidas do mal contra o bem.
É inegável que as instituições terrenas, não obstante constrangidas, revelam apreciáveis características de progresso.
Regressando ao cenário atual, Aristóteles, o oráculo de filósofos e teólogos, não mais aplaudiria o cativeiro, declarando o escravo "propriedade viva"; Inácio de Loyola, o santo, a pretexto de preservar a fé, não mobilizaria os tribunais da Inquisição.
A influência do Cristianismo determinou enormes transformações na curul administrativa. Entretanto, a dignificação da personalidade permanece apenas esboçada.
Os aviltamentos do ódio campeiam em todos os climas.
Arraiga-se a injustiça, com a máscara da legalidade, nas organizações dos países mais nobres.
Há desvarios do poder em toda parte.
Baraço e cutelo, metamorfoseados nos mais estranhos aparelhos de tortura e de morte, são ainda recursos da toga.
A desconfiança e a discórdia regem as relações internacionais.
Racismo tirânico perturba povos avançados.
Conflitos ideológicos tremendos aguçam o raciocínio a soldo da ciência perversa.
E, coroando o sombrio edifício, instalou-se a guerra entre os homens, à maneira de sorvedouro infernal.
O conceito de civilização flutua ao sabor dos grupos dominantes.
Para alguns, repousa na economia ou na força; para outros, no direito exclusivista ou na liberdade de praticar o mal. E, do que podemos presumir, não está próxima a equação do inquietante problema.
Há sempre volumosos contingentes para ganhar a demanda, mas raros homens se preocupam em ganhar a harmonia.
O domicílio dos homens sofrerá terríveis brechas, até que a razão se equilibre nas diretrizes do mundo.
A inteligência bestial combaterá ainda a sabedoria divina por longo tempo.
Não somos, pois, estranhos à tormenta de lágrimas, que cobrirá a fronte dos continentes em dolorosos quadros apocalípticos.
Constituímos o fruto do que fomos, colhemos na pauta da semeadura.
Nisto não vai estima às predições de Cassandra, nem barateamento às profecias.
Buscando o Cristo nos templos exteriores e expulsando-O dos corações, fôra temeridade esperá-lo por salvador gratuito à última hora.
Eis porque, à frente dos atritos formidandos dos dias que passam, apelamos para os seguidores do Evangelho, a fim de que se unam no culto à religião interior.
A consciência identificada com o Mestre é refúgio indispensável.
Se as doutrinas da força somente representam a decadência das nações, por libertarem o vandalismo, restituindo o homem à animalidade primária, é justo reconhecer que a democracia sem orientação cristã não pode conduzir-nos à concórdia desejada.
Realmente, a Revolução Francesa, que inaugurou grandes movimentos libertários do Planeta, filiava-se, no fundo, às plataformas elevadas. Objetivava o término das administrações inconscientes, o fim da ociosidade consagrada, a extinção de prerrogativas delituosas, o reajustamento do governo e do sacerdócio, em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade.
Muitos dos patrocinadores da renovação acreditaram-se movidos pelo messianismo evangélico; no entanto, esqueceram-se de que Jesus advogara a liberdade de obedecer a Deus contra o mal, a igualdade dos deveres para que o mérito marcasse a responsabilidade, e a fraternidade verdadeira, dentro da qual há mais alegria em dar que em receber.
Conspurcada nos fundamentos, a Revolução, desbordando nos instintos sanguinários, em breve degenerou-se nas lutas napoleônicas, estabelecendo, no mundo, as guerras odiosas de povo a povo.
Desde então, a Terra, em sua geografia política, é uma colméia desesperada, que só a Cristianização da democracia poderá reajustar.
O angustioso enigma prende-se à ordem espiritual.
Impraticável o erguimento do edifício sem bases. Impossível a organização de instituições respeitáveis sem sentimentos humanos dignificados.
O homem elevar-se-á com o Cristo para levantar a política até o plano do equilíbrio divino ou a política sem Cristo, seja qual for a bandeira a que se acolhe, precipitará o homem no caos. Este - o dilema da atualidade, em que a ventania da destruição assopra de novo...
E, não obstante edificados na certeza de que tudo coopera em benefício dos que amam a Deus, das claridades de além-túmulo, repetimos para os companheiros do Evangelho:
- Irmãos, entrelaçai os braços e uni corações, em torno do Caminho, da Verdade e da Vida!...
Tormentas de dor rondam os castelos da vaidade humana e gênios escuros do morticínio acercam-se das moradias sem alicerces.
Os monstros que devoraram as civilizações dos persas e dos assírios, dos egípcios e dos gregos, dos romanos e dos fenícios espreitam a grandeza fantasiosa dos vossos palácios de ilusão!...
Os oráculos que prognosticaram queda e ruína em Persépolis e Babilônia, Tebas e Atenas, Roma e Cartago pronunciam angustiados vaticínios em vossas cidades poderosas...
Polvos mortíferos do ódio e da ambição desregrada multiplicam-se no oxigênio terrestre, predizendo misérias e desolação.
Trazem a fome e a peste em novos aspectos, desorganizando-vos a vida e desintegrando-vos os celeiros...
Todos vivemos tempos dramáticos de prece, expectação e vigília...
E, enquanto o aquilão da impiedade ruge destruidor, reunamo-nos na Jerusalém do Íntimo Santuário!...
Sigamos o Senhor na via dolorosa, como quem sabe que Ele prossegue à nossa frente, desvelando-nos o caminho da ressurreição eterna.
Vejamo-Lo, heróico e divino, em seu apostolado de sublime renúncia, vergado à cruz de nossas fraquezas milenárias...
É natural que nossos olhos estejam orvalhados de pranto e que o assombro nos domine os corações.
Todavia, atentos à Justiça Indefectível que nos preside aos destinos, ouçamo-Lo a dirigir-se às mulheres piedosas que se lhe ajoelhavam aos pés, na cidade santa: - "Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos, porque virão dias em que se dirá: - Bem aventurados os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram! Clamareis então para os montes: - Caí sobre nós! E rogareis aos outeiros: - Cobri-nos! Porque se ao madeiro verde fazem isto, que se não fará ao lenho seco?"

"Ninguém sabe quem teria sido o samaritano da parábola: se um homem de elevada cultura espiritual ou se um analfabeto no conhecimento da vida; se um representante da autoridade ou se um homem a esconder-se das próprias culpas. Entretanto, porque se compadeceu e auxiliou, porque agiu e serviu, em favor do próximo, conseguiu identificar-se com o Trabalho dos Anjos". (Emmanuel / Chico Xavier - Livro: Amanhece)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
 08 DE MAIO DE 1945 -  DIA DA VITÓRIA - A TOMADA DE 
MONTE CASTELO

Joel Silveira correspondente de guerra sobre "A Tomada de Monte Castelo"


A conquista do monte italiano realizada pela FEB, em fevereiro de 1945.

"Na véspera do dia 21 eu havia pedido um jipe ao Major Souza Júnior, encarregado dos correspondentes, para ir a Nápoles esperar o quarto escalão de tropas brasileiras que chegaria no dia 23. O major, então, me perguntou: "Você prefere esperar o escalão ou uma coisa melhor?"

A coisa melhor era a ofensiva brasileira do dia 21 sobre o Monte Castelo. Manhã cedo, no QG recuado, fomos avisados de que a nossa artilharia abrira fogo cerrado, naquela noite, contra posições defensivas inimigas nas montanhas que há três meses nos barravam o caminho. Tomamos um café apressado, enchemos os bolsos de chocolate e chiclete e soltamos nossas viaturas até o QG avançado. Os jipes necessários já esperavam os correspondentes, e cada qual subia no seu e procurou, na frente, o melhor lugar para uma observação total da luta. Creio que a sorte me protegeu, que meu jipe andou mais depressa, não sei: o certo é que tomei de assalto o PO avançado do General Cordeiro de Faria e lá me instalei por todo o dia. Eram 8h da manhã quando o general me cedeu seu lugar diante da luneta binocular e me disse:

"Começamos a atacar às 6 da manhã. As tropas em ofensiva constituem o 1º Regimento de Infantaria, o Sampaio. Os seus três batalhões avançam na seguinte ordem: o 1º comandado pelo Major Olívio Godim de Uzeda, segue pela esquerda; o 2º comandado pelo Major Sizeno Sarmento, vai pelo centro; e o 3º, comandado pelo Tenente Coronel Emílio Rodrigues Franklin, partirá da direita. Nossa intenção é envolver todo o morro e, em coordenação com a ofensiva americana que já conquistou Belvedere, arrancá-lo das mãos nazistas até o fim da tarde de hoje."

Vejo, através da luneta, os nossos pracinhas agachados lá na frente, grupos aqui e ali rastejando na direção do cume de onde atiram, com suas curtas e sinistras gargalhadas, as terríveis "lurdinhas" alemãs. Agora mesmo um deles encostou-se num pedaço de muro destruído e aponta sua Thompson para qualquer lugar lá em cima. Os morteiros nazistas rebentam nas faldas do sul, mas nossa artilharia reinicia seu canhoneiro sistemático e certeiro, como fizera toda à noite. Escuto os silvos das granadas sobre nós, vejo-as explodirem lá adiante, numa coroa de fumaça que cai sobre o Castelo como uma auréola de chumbo. Uma de nossas baterias parece que perdeu a mira, e seis tiros caem muito aquém, quase num determinado setor brasileiro. O General Cordeiro dá ordens secas e rápidas, e durante alguns minutos seus ajudantes-de-ordens procuram, através dos cinco telefones de campanha e dos dois rádios, localizar o canhão amalucado. Finalmente o Capitão Durval de Alvarenga Souto Maior, comandante da 1ª Bateria do 1º Grupo, descobre que o canhão pertence à sua unidade. Há uma ordem rápida pelo rádio, e os tiros agora estão perfeitamente ajustados no eficiente conjunto de toda a artilharia. À esquerda, sobre posições americanas além de Belvedere, cinco ou seis Thunderbolts descem em picada, rápidos como um peso despencado de cima, e metralham impiedosamente os nazistas em defensiva.

Quando cheguei ao Posto de Observação do General Cordeiro, duas ou três horas depois de iniciada a ofensiva, a situação era mais ou menos esta: os batalhões avançaram, com exceção do 2º, comandado pelo Major Sizeno, que partiria às 11:35h de Gaggio Montano. Os nazistas tentavam impedir a progressão dos brasileiros com um fogo concentrado de morteiros. Eu sabia que a conquista de Castelo só seria efetuada depois que os americanos, que partiram de Belvedere, houvessem se apoderado de Toraccia, um pico que, atrás, dominava certa parte do morro sobre o qual avançavam nossos homens. O ataque americano, que começara na noite anterior, estava sendo efetuado por toda uma divisão especializada, a 10ª de Montanha, recentemente chegada a este setor. Naquele momento, 10 da manhã, os norte-americanos se encontravam em determinado ponto além de Menzacona, meio caminho entre Belvedere e Toraccia. Menzacona ficara em poder de um dos batalhões de brasileiros, com o qual os americanos haviam-se encontrado pela manhã. Então a ofensiva combinada, no lado direito, tomou o seguinte aspecto: os brasileiros deixaram alguns homens em Menzacona e seguiram em direção a Castelo, pela esquerda e comandados pelo Major Uzeda: os americanos foram à frente, em direção a Toraccia.

Daí por diante, os acontecimentos se sucederam nesta ordem, conforme me dizem os quase indecifráveis apontamentos que fui tomando às carreiras, entre uma olhada de binóculo e uma informação dos rádios:

Ao meio dia, o General Clark, comandante da frente italiana, o General Truscott, comandante do 5º Exército, o General Crittenberger e o comandante-chefe das forças aéreas do Mediterrâneo estiveram em visita ao General Mascarenhas de Moraes, no seu posto de observação precisamente três quilômetros à direita do PO do General Cordeiro.

Às 12:30h, o Major Uzeda, que avança pela esquerda, pede proteção de artilharia para que possa alcançar um ponto na sua frente, e o General Cordeiro ordena às baterias: Cinco rajadas de morteiro sobre 813.

Às 13:55h, um dos batalhões avisa que foram avistados reforços alemães que começam a chegar a Castelo. Ao lado direito, o Coronel Franklin está detido com o seu 3º Batalhão. O Major Uzeda previne pelo rádio que tentará envolver Castelo pela esquerda.

Às 14h 20min, o Major Uzeda avisa que vai atacar 920, penúltimo ponto antes da crista de Castelo. Pede mais tiro ao General Cordeiro, que transmite, através de seus auxiliares (o Coronel Miranda Correia e o Capitão Souto Maior são dois deles), ordens às baterias. O Major Uzeda se encontra precisamente a cinco quilômetros do PO, tendo realizado já uma progressão de dois quilômetros. O diálogo entre Alma I, Alma II e Alma III (observadores junto aos batalhões) e Lata I, Lata II e Lata III (oficiais de ligação em plena luta) se repete de minuto a minuto.

Às 15h, o Major Uzeda se encontra firme em 930, mas neutralizado por metralhadoras alemãs. Seu objetivo final será 977, ou seja, o cume de Castelo, onde tenciona chegar depois das 16h 30min. Fica combinado então que, às 16h 20min, quando seu batalhão iniciar a definitiva marcha sobre a crista de Castelo, toda a artilharia divisionária concentrará seus fogos sobre as faldas e o cume do monte. Estamos disparando com canhões de 105, 155 mm e morteiros.

Às 15:5h, escuto do General Cordeiro que, até aquele instante, calculava já ter gasto uns 8 milhões de cruzeiros de munição com os disparos da sua artilharia.

Às 15:30h o Major Uzeda diz pelo rádio: Meus homens estão prontos para atacar. Olho pelo binóculo que me emprestou o Coronel Miranda Correia e vejo, lá em cima, no 930, os soldados em formação de ataque, esparsos pelos pequenos vales e deitados na pouca neve que o sol ainda não conseguira mandar embora.

Entre 15:30h e 15:50h há uma relativa calma: somente os morteiros nazistas, os aviões mergulhando nas faldas de Toraccia e um teco-teco brasileiro, plácido como uma asa estendida, que navega solitário sobre o campo de luta. O PO do General Cordeiro de Faria fica localizado numa elevação de terreno - lá embaixo, é o vale que nos separa de Castelo, e aqui atrás, seiscentos metros distante, está localizado um dos grupos de nossa artilharia. Quando suas peças disparam, há um violento estremecimento de toda a casa, e xícaras e copos trepidam na mesa com um barulho cristalino. Os paisanos que aqui residiam, neste chalé amarelo, foram expulsos pela guerra e parece que não tiveram tempo de levar suas coisas. Os móveis estão intactos, há litogravuras nas paredes, um Cristo desalentado e pálido, fotografias de cavalheiros fardados e senhoras em trajes de inverno. Num dos cantos da sala onde o general colocou sua luneta, descubro um ricordo nuziale cercado por uma moldura dourada. Ali se recorda que, no dia 11 de dezembro de 1927, numa igreja de Bolonha, se consorciaram Dino Bettochi e Caterina Cionni. Uma paz distante.

Às 16:3h o Coronel Franklin informa pelo rádio que seus homens ocuparam Fornelo, à direita de Castelo e próximo ao seu cume. Tratava-se de um ponto forte inimigo, eriçado de metralhadoras, que foi dominado pelos nossos soldados. Fornelo foi um dos pontos em que foram barrados, em novembro e dezembro últimos, os anteriores ataques brasileiros contra a montanha tão cruel. Continua progredindo o batalhão do Coronel Franklin.

Sem dúvida alguma, o instante mais sensacional de toda a luta do dia 21 aconteceu às 16h 20min, quando toda a artilharia divisionária concentrou seus fogos sobre Castelo. Já havia lá fora qualquer coisa da noite, e os obuses explodiam em chamas altas, que o binóculo me mostra, tão próximas e reais.

As faldas do monte estão cavadas e lá em cima o cume ficou transformado numa cratera de vulcão em erupção. O Major Uzeda avança protegido pela função dos tiros de fuligem, e nossas metralhadoras estão trabalhando ativamente. Aqui dentro, ninguém diz nada. O general colocou definitivamente os olhos na luneta, e seus dedos - vejo bem - alisam automaticamente um pedaço da mesa. O Coronel Correia diz num fiapo de voz:

"Todo mundo está andando..."

- Às 17:40h os homens do Major Uzeda alcançam Esperança, outro ponte forte nazista no setor 930.

Às 17:45h o General Cordeiro de Faria afasta-se das lunetas, vira-se para mim e diz: "Praticamente Castelo está conquistado." Chegam também informações sobre a situação dos americanos: eles não conseguiram ainda tomar Toraccia, e o avanço brasileiro sobre Castelo terá que ser feito com aquela estratégica posição ainda em mãos dos nazistas.

- Às 17:50h a voz do Coronel Franklin vem, forte pelo rádio: "Estou no cume do Castelo." E pede fogos de artilharia sobre pontos inimigos além do monte. "Castelo é nosso", diz-me o general. Mais três minutos, e as baterias estão canhoneando Caselina, Serra e Bela Vista. Os nazistas respondem com morteiros. Mas nada mais adiantaria, porque, como me diria no dia seguinte o Coronel Franklin, "estamos em Castelo e ninguém mais nos tira daqui."

São mais de sete da noite quando seguimos, eu e o fotógrafo Horácio, pela estrada deserta e fria a caminho do nosso jipe que ficou distante. Nossa artilharia continua incansável. O Castelo está bem a nossa frente, mas é agora uma coleção de faldas amansadas. Já não nos domina com suas casamatas, já não vigia implacável nossos caminhos e estradas, já não nos persegue com seus mil olhos nazistas. É um morro brasileiro, e amanhã estarei lá em cima, junto com os pracinhas vitoriosos, passeando pela sua arrogância domada."

FAB - A Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra 
com a 1ª ELO


"Na Segunda Guerra Mundial, a atuação da Força Aérea Brasileira - FAB, com a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação – 1ª ELO, subordinada à Artilharia Divisionária do 2º Escalão da Força Expedicionária Brasileira -FEB, no “Front” do Teatro de Operações do Mediterrâneo, na Itália, possuía a missão de observação do setor da linha de contato com o inimigo e a regulagem dos tiros de artilharia da FEB, voando em avião de treinamento primário e desarmado, o conhecido Piper Cub ou melhor o famoso “Teço-Teco”, impondo sua presença na frente de combate; podendo ter a surpresa de um ataque alemão. Organizada como uma Unidade composta de elementos de duas forças brasileiras, sob comando único.

Seu efetivo formado por elementos da Força Aérea Brasileira e da artilharia da Força Expedicionária Brasileira, os primeiros eram os pilotos e mecânicos dos aviões e os segundos, os observadores aéreos e os motoristas das viaturas (pessoal de apoio). A observação e a correção do tiro eram feitas com o avião sobre o objetivo inimigo, que tanto podia ser um depósito de munição, uma concentração de tropa ou um comboio de munição. A altitude do vôo era sempre a suficiente para fugir ao alcance da artilharia antiaérea do inimigo. As coordenadas, para a correção dos tiros da “Poderosa” (a Artilharia), eram transmitidas pelo rádio, diretamente do observador para a central de tiro.

Como era de praxe, toda Unidade que se prezava tinha o seu distintivo, quando da chegada ao Teatro de Operações, utilizando inicialmente a 1ª ELO, o desenho de um gafanhoto, que era o apelido que os americanos davam às Unidades de Observação de Artilharia (os grasshoppers), posteriormente foi substituído, pelo emblema idealizado pelo Capitão Aviador Fortunato Câmara de Oliveira, piloto do 1° Grupo de Aviação de Caça. O emblema foi idealizado com a seguinte heráldica: O Oficial – o piloto; O binóculo – o observador na sua constante vigília; O canhão – a “Poderosa Artilharia”; As asas – a Força Aérea Brasileira; As nuvens brancas – a paz, tão desejada; O Azul – a imensidão do céu.

Durante a campanha, operou a 1ª ELO em diversas Bases, conforme o andamento das Linhas de Frente, tais como: Pisa, Vila Real de Caça do Rei da Itália (San Rossore); Pistóia (Base de San Giorgio); SuvianaPorreta TermePiacenzaMontechio Emília e por último na Base de Portalbera. Terminado a guerra e juntamente com a missão da tropa de ocupação, a Esquadrilha continuou a prestar serviços a FEB, realizando vôos de ligação e serviço de transporte de correio, entre as cidades de Milão e Alexandria.

Por haverem realizado mais de 35 missões aéreas sobre território inimigo, tanto os Oficiais da FAB, como os Observadores da FEB, receberam do Governo americano a condecoração “Air Medal”, entregue pelo General Truscott, Comandante do 4º Corpo de V Exército Americano. Expressam-se assim, alguns números, do trabalho efetuado pela esquadrilha: 1.282 h 50 min – horas voadas em missão de guerra; 684 missões de guerra; 2.399 aterragens; 400 regulagens de tiro; 184 dias operacionais.


 “Referência Altamente HONROSA”

“A rapidez e o desenvolvimento dos engenhos da guerra moderna exigiram da Artilharia, a arma do projétil, meios próprios que se sobrepuseram ao terreno e ao clima, e que orientassem, com segurança, precisão e oportunidade, os seus tiros através das linhas inimigas. E foi no modesto e frágil avião de turismo, transformado agora em olhos perscrutadores e audazes, que se encontrou a solução de tão magno problema, pois o seu emprego estava sujeito a várias exigências técnicas, como pouca velocidade, fácil manobra no campo e estabilidade no ar.”

Nasceu, assim, esse órgão novo e eficiente, entre nos batizado de Esquadrilha de Ligação e Observação e elemento integrante da Artilharia Divisionária.

Dizer do seu trabalho nesta Campanha é cantar um hino ao destemor e à noção do dever dos aviadores e artilheiros que a constituem.

Não houve mau tempo, não houve neve, tão pouco acidentes e pistas impróprias, das quais às vezes não podiam regressar, que arrefecessem o ânimo e a disposição de seus componentes.

Destinados a regular o tiro das baterias, sobrevoando a zona das posições, sem ultrapassar os nossos elementos, a eles se pediu, também, a vigilância do campo de batalha, e em avião impróprio e desarmado penetravam a fundo no terreno inimigo, enfrentando uma defesa antiaérea para a qual não estavam preparados.

Durante muito tempo e desde a nossa chegada à região do vale do Reno, eram os únicos olhos que a Divisão possuía, além do conjunto de alturas que queríamos conquistar; seu vôo desassombrado obrigou continuamente o inimigo a se manter em silêncio e imóvel, receoso do tiro certeiro de nossa Artilharia, cuja ajustagem sempre conduzia com absoluta perfeição. Eia pois, camaradas aviadores, artilheiros, mecânicos e todo o pessoal da ELO: com o esforço por vós despendido, na conservação do material sempre em condições de vôo e no cumprimento de missões que todos os dias vos são atribuídas, tendo cooperado, grandemente, para a exaltação das armas brasileiras na luta árdua e rude que estamos empreendendo ao lado das Nações Unidas.

Asseguro-vos, assim, que sois credores da admiração de todos os chefes, da amizade de vossos camaradas e do reconhecimento de vossos patrícios, e que a vitória do BRASIL muito depende de vosso trabalho e abnegação."

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

FAZER O BEM 
SEM OLHAR A QUEM

A guerra do Vietnã havia acabado fazia pouco tempo...

Deixou uma soma de soldados mutilados e grande quantidade de guerreiros mortos.

Dentre os sobreviventes, um soldado estava finalmente voltando para casa.

Antes de embarcar para a cidade onde morava, resolveu telefonar para os pais e contar a notícia.

Mãe, pai, eu estou voltando para casa e gostaria de lhes pedir um grande favor. É que tenho um amigo, também sobrevivente da guerra, que pretendo levar comigo.

Claro, responderam os pais solícitos.

Nós adoraríamos conhecê-lo!

Todavia, diz o filho, há algo que vocês precisam saber: ele foi terrivelmente ferido durante a batalha, pisou em uma mina e perdeu um braço e uma perna. E como não tem nenhum lugar para onde ir quero que ele vá morar conosco.

Depois de um breve momento de silêncio do outro lado da linha, a resposta veio:

- Sentimos muito, filho. Nós talvez possamos ajudá-lo a encontrar um lugar para morar, mas infelizmente não podemos traze-lo para nosso lar.

- Não, mamãe e papai, eu quero que ele more conosco, suplicou o rapaz.

Filho, disse o pai, você não sabe o que está pedindo.

Alguém com tanta dificuldade seria um grande fardo para nós.

Nós temos nossas próprias vidas e não podemos deixar que uma coisa como esta interfira em nosso modo de viver.

Acho que você deveria voltar para casa e esquecer o rapaz. Ele encontrará uma maneira de viver por si mesmo.

Naquele momento, o filho desligou o telefone. Os pais não ouviram mais nenhuma palavra dele...

Alguns dias depois, receberam um telefonema da polícia com a triste notícia...

O filho deles havia caído de um prédio.

A polícia acreditava em suicídio.

Os pais, angustiados, tomaram o avião e foram ver o que acontecera com seu filho querido.

Levados para identificar o corpo descobriram, para seu horror, que o soldado mutilado era seu próprio filho.

Ambos sentiram, naquele momento, como se uma navalha lhes dilacerasse o coração.

Perceberam que ao negar ajuda a um rapaz desconhecido, desprezaram o próprio filho que desejava saber como seria tratado ao voltar para casa com as mutilações da guerra. 

Fonte: Momento de Reflexão

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Páscoa - 24/04/2011

Os Grupos Veterano Prazer de Jogar e Veterano Helênio de Oliveira desejam a todos os seus atletas, familiares, amigos e a todos que visitarem o Blog, uma Feliz Páscoa.
O DUELO ENTRE A VIDA E MORTE
Leonardo Boff
Teólogo, filósofo e escritor
Num dos mais belos hinos da liturgia cristã da Páscoa, que nos vem do século XIII, se canta que "a vida e a morte travaram um duelo; o Senhor da vida foi morto mas eis que agora reina vivo”.

É o sentido cristão da Páscoa: a inversão dos termos do embate. O que parecia derrota era, na verdade, uma estratégia para vencer o vencedor, quer dizer a morte. Por isso, a grama não cresceu sobre a sepultura de Jesus. Ressuscitado, garantiu a supremacia da vida.

A mensagem vem do campo religioso que se inscreve no humano mais profundo, mas seu significado não se restringe a ele. Ganha uma relevância universal, especialmente, nos dias atuais, em que se trava física e realmente um duelo entre a vida e a morte. Esse duelo se realiza em todas as frentes e tem como campo de batalha o planeta inteiro, envolvendo toda a comunidade de vida e toda a humanidade.

Isso ocorre porque, tardiamente, nos estamos dando conta de que o estilo de vida que escolhemos nos últimos séculos, implica uma verdadeira guerra total contra a Terra. No afã de buscar riqueza, aumentar o consumo indiscriminado (63% do PIB norte-americano é constituído pelo consumo que se transformou numa real cultura consumista) estão sendo pilhados todos os recursos e serviços possíveis da Mãe Terra.

Nos últimos tempos, cresceu a consciência coletiva de que se está travando um verdadeiro duelo entre os mecanismo naturais da vida e os mecanismos artificiais de morte deslanchados por nosso sistema de habitar, produzir, consumir e tratar os dejetos.

As primeiras vítimas desta guerra total são os próprios seres humanos. Grande parte vive com insuficiência de meios de vida, favelizada e superexplorada em sua força de trabalho. O que de sofrimento, frustração e humilhação ai se esconde é inenarrável. Vivemos tempos de nova barbárie, denunciada por vários pensadores mundiais, como recentemente por Tsvetan Todorov em seu livro O medo dos bárbaros (2008).

Estas realidades que realmente contam porque nos fazem humanos ou cruéis, não entram nos calculos dos lucros de nenhuma empresa e não são considerados pelo PIB dos países, à exceção do Butão que estabeleceu o Indice de Felicidade Interna de seu povo. As outras vítimas são todos os ecossistemas, a biodiversidade e o planeta Terra como um todo.

Recentemente, o prêmio Nobel em economia, Paul Krugmann, revelava que 400 famílias norte-americanas detinham sozinhas mais renda que 46% da população trabalhadora estadunidense. Esta riqueza não cai do céu. É feita através de estratégias de acumulação que incluem trapaças, superespeculação financeira e roubo puro e simples do fruto do trabalho de milhões.

Para o sistema vigente e devemos dizê-lo com todas as letras, a acumulação ilimitada de ganhos é tida como inteligência, a rapinagem de recursos públicos e naturais como destreza, a fraude como habilidade, a corrupção como sagacidade e a exploração desenfreada como sabedoria gerencial. É o triunfo da morte. Será que nesse duelo ela levará a melhor?

O que podemos dizer com toda a certeza que nessa guerra não temos nenhuma chance de ganhar da Terra. Ela existiu sem nós e pode continuar sem nós. Nós sim precisamos dela. O sistema dentro do qual vivemos é de uma espantosa irracionalidade, própria de seres realmente dementes.

Analistas da pegada ecológica global da Terra, devido à conjunção das muitas crises existentes, nos advertem que poderemos conhecer, para tempos não muito distantes, tragédias ecológico-humanitárias de extrema gravidade.

É neste contexto sombrio que cabe atualizar e escutar a mensagem da Páscoa. Possivelmente não escaparemos de uma dolorosa sexta-feira santa. Mas depois virá a ressurreição. A Terra e a Humanidade ainda viverão.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Monja Coen


JAPÃO

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.

Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras.

A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima.

A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas.

Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos - mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.

Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pela minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem.

Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.

O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer: todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento.

Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Buda.


Mãos em prece (gassho)

(Monja Coen)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma noite eu tive um sonho...

Sonhei que estava andando na praia com o Senhor,
E através do Céu, passavam cenas de minha vida.

Para cada cena que passava, percebi pegadas na areia;
Uma era minha e a outra do Senhor.

Quando a última cena de minha vida passou diante de nós,
olhei para as pegadas na areia,

Notei que muitas vezes no caminho da minha vida
havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis
da minha vida.

Isso aborreceu-me deveras e perguntei então ao Senhor:

- Senhor, Tu me disseste que,
uma vez que eu resolvi Te seguir,
Tu andarias sempre comigo, todo o caminho,

- Mas notei que nos momentos das maiores atribulações do meu viver havia na areia dos caminhos da vida, apenas um par de pegadas.

- Não compreendo...
Porque nas horas em que eu mais necessitava Tu me deixastes?

O Senhor respondeu :

- Meu precioso filho, Eu te amo e jamais te deixaria nas horas da tua prova e do teu sofrimento.

Quando vistes na areia apenas um par de pegadas,
foi exatamente aí que

EU TE CARREGUEI EM MEUS BRAÇOS!

(
Anônimo)

domingo, 4 de abril de 2010

Páscoa - 04/04/2010

Os Grupos Veterano Prazer de Jogar e Veterano Helênio de Oliveira desejam a todos os seus atletas, familiares, amigos e a todos que visitarem o Blog, uma Feliz Páscoa.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Tributo a um cão

"... O mais altruísta dos amigos que um homem pode ter neste mundo egoísta, aquele que nunca o abandona e nunca mostra ingratidão ou deslealdade, é o cão".

"Senhores Jurados, o cão permanece com o seu dono na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença. Ele dormirá no chão frio, onde os ventos invernais sopram e a neve se lança impetuosamente. Quando só ele estiver ao lado de seu dono, ele beijará a mão que não tem alimento a oferecer, ele lamberá as feridas e as dores que aparecem nos encontros com a violência do mundo. Ele guarda o sono de seu pobre dono como se fosse um príncipe. Quando todos os amigos o abandonarem, o cão permanecerá. Quando a riqueza desaparece e a reputação se despedaça, ele é constante em seu amor como o Sol na sua jornada através do firmamento. Se a fortuna arrasta o dono para o exílio, o desamparo e o desabrigo, o cão fiel pede o privilégio maior de acompanhá-lo, para protegê-lo contra o perigo, para lutar contra seus inimigos. E quando a última cena se apresenta, a morte o leva em seus braços e seu corpo é deixado na laje fria, não importa que todos os seus amigos sigam seu caminho: lá ao lado de sua sepultura se encontrará seu nobre cão, a cabeça entre as patas, os olhos tristes, mas em atenta observação, fé e confiança mesmo à morte ".

Este tributo foi apresentado ao júri pelo ex-senador George G. Vest (então advogado), que representou o proprietário de um cão morto a tiros, propositalmente, pelo vizinho.

O fato ocorreu há um século na cidade de Warrensburg, Missouri, nos Estados Unidos da América. O senador ganhou o caso e hoje existe uma estátua do cão na cidade e seu discurso está inscrito na entrada do tribunal de justiça da cidade.

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Essa linda mensagem é uma singela homenagem a cadelinha poodle "FOFA" que acompanhou as minhas filhas durante toda a sua infância e adolescência, que partiu em 09/10/2009.

Como dizem que "todos os cães vão para o céu", ela está em bom lugar.