SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
08 DE MAIO DE 1945 - DIA DA VITÓRIA - A TOMADA DE
MONTE CASTELO
MONTE CASTELO
Joel Silveira correspondente de guerra sobre "A Tomada de Monte Castelo"
A conquista do monte italiano realizada pela FEB, em fevereiro de 1945.
"Na
véspera do dia 21 eu havia pedido um jipe ao Major Souza Júnior,
encarregado dos correspondentes, para ir a Nápoles esperar o quarto
escalão de tropas brasileiras que chegaria no dia 23. O major, então, me
perguntou: "Você prefere esperar o escalão ou uma coisa melhor?"
A
coisa melhor era a ofensiva brasileira do dia 21 sobre o Monte Castelo.
Manhã cedo, no QG recuado, fomos avisados de que a nossa artilharia
abrira fogo cerrado, naquela noite, contra posições defensivas inimigas
nas montanhas que há três meses nos barravam o caminho. Tomamos um café
apressado, enchemos os bolsos de chocolate e chiclete e soltamos nossas
viaturas até o QG avançado. Os jipes necessários já esperavam os
correspondentes, e cada qual subia no seu e procurou, na frente, o
melhor lugar para uma observação total da luta. Creio que a sorte me
protegeu, que meu jipe andou mais depressa, não sei: o certo é que tomei
de assalto o PO avançado do General Cordeiro de Faria e lá me instalei
por todo o dia. Eram 8h da manhã quando o general me cedeu seu lugar
diante da luneta binocular e me disse:
"Começamos
a atacar às 6 da manhã. As tropas em ofensiva constituem o 1º Regimento
de Infantaria, o Sampaio. Os seus três batalhões avançam na seguinte
ordem: o 1º comandado pelo Major Olívio Godim de Uzeda, segue pela
esquerda; o 2º comandado pelo Major Sizeno Sarmento, vai pelo centro; e o
3º, comandado pelo Tenente Coronel Emílio Rodrigues Franklin, partirá
da direita. Nossa intenção é envolver todo o morro e, em coordenação com
a ofensiva americana que já conquistou Belvedere, arrancá-lo das mãos
nazistas até o fim da tarde de hoje."
Vejo,
através da luneta, os nossos pracinhas agachados lá na frente, grupos
aqui e ali rastejando na direção do cume de onde atiram, com suas curtas
e sinistras gargalhadas, as terríveis "lurdinhas" alemãs. Agora mesmo
um deles encostou-se num pedaço de muro destruído e aponta sua Thompson
para qualquer lugar lá em cima. Os morteiros nazistas rebentam nas
faldas do sul, mas nossa artilharia reinicia seu canhoneiro sistemático e
certeiro, como fizera toda à noite. Escuto os silvos das granadas sobre
nós, vejo-as explodirem lá adiante, numa coroa de fumaça que cai sobre o
Castelo como uma auréola de chumbo. Uma de nossas baterias parece que
perdeu a mira, e seis tiros caem muito aquém, quase num determinado
setor brasileiro. O General Cordeiro dá ordens secas e rápidas, e
durante alguns minutos seus ajudantes-de-ordens procuram, através dos
cinco telefones de campanha e dos dois rádios, localizar o canhão
amalucado. Finalmente o Capitão Durval de Alvarenga Souto Maior,
comandante da 1ª Bateria do 1º Grupo, descobre que o canhão pertence à
sua unidade. Há uma ordem rápida pelo rádio, e os tiros agora estão
perfeitamente ajustados no eficiente conjunto de toda a artilharia. À
esquerda, sobre posições americanas além de Belvedere, cinco ou seis
Thunderbolts descem em picada, rápidos como um peso despencado de cima, e
metralham impiedosamente os nazistas em defensiva.
Quando
cheguei ao Posto de Observação do General Cordeiro, duas ou três horas
depois de iniciada a ofensiva, a situação era mais ou menos esta: os
batalhões avançaram, com exceção do 2º, comandado pelo Major Sizeno, que
partiria às 11:35h de Gaggio Montano. Os nazistas tentavam impedir a
progressão dos brasileiros com um fogo concentrado de morteiros. Eu
sabia que a conquista de Castelo só seria efetuada depois que os
americanos, que partiram de Belvedere, houvessem se apoderado de
Toraccia, um pico que, atrás, dominava certa parte do morro sobre o qual
avançavam nossos homens. O ataque americano, que começara na noite
anterior, estava sendo efetuado por toda uma divisão especializada, a
10ª de Montanha, recentemente chegada a este setor. Naquele momento, 10
da manhã, os norte-americanos se encontravam em determinado ponto além
de Menzacona, meio caminho entre Belvedere e Toraccia. Menzacona ficara
em poder de um dos batalhões de brasileiros, com o qual os americanos
haviam-se encontrado pela manhã. Então a ofensiva combinada, no lado
direito, tomou o seguinte aspecto: os brasileiros deixaram alguns homens
em Menzacona e seguiram em direção a Castelo, pela esquerda e
comandados pelo Major Uzeda: os americanos foram à frente, em direção a
Toraccia.
Daí
por diante, os acontecimentos se sucederam nesta ordem, conforme me
dizem os quase indecifráveis apontamentos que fui tomando às carreiras,
entre uma olhada de binóculo e uma informação dos rádios:
Ao
meio dia, o General Clark, comandante da frente italiana, o General
Truscott, comandante do 5º Exército, o General Crittenberger e o
comandante-chefe das forças aéreas do Mediterrâneo estiveram em visita
ao General Mascarenhas de Moraes, no seu posto de observação
precisamente três quilômetros à direita do PO do General Cordeiro.
Às
12:30h, o Major Uzeda, que avança pela esquerda, pede proteção de
artilharia para que possa alcançar um ponto na sua frente, e o General
Cordeiro ordena às baterias: Cinco rajadas de morteiro sobre 813.
Às
13:55h, um dos batalhões avisa que foram avistados reforços alemães que
começam a chegar a Castelo. Ao lado direito, o Coronel Franklin está
detido com o seu 3º Batalhão. O Major Uzeda previne pelo rádio que
tentará envolver Castelo pela esquerda.
Às
14h 20min, o Major Uzeda avisa que vai atacar 920, penúltimo ponto
antes da crista de Castelo. Pede mais tiro ao General Cordeiro, que
transmite, através de seus auxiliares (o Coronel Miranda Correia e o
Capitão Souto Maior são dois deles), ordens às baterias. O Major Uzeda
se encontra precisamente a cinco quilômetros do PO, tendo realizado já
uma progressão de dois quilômetros. O diálogo entre Alma I, Alma II e
Alma III (observadores junto aos batalhões) e Lata I, Lata II e Lata III
(oficiais de ligação em plena luta) se repete de minuto a minuto.
Às
15h, o Major Uzeda se encontra firme em 930, mas neutralizado por
metralhadoras alemãs. Seu objetivo final será 977, ou seja, o cume de
Castelo, onde tenciona chegar depois das 16h 30min. Fica combinado então
que, às 16h 20min, quando seu batalhão iniciar a definitiva marcha
sobre a crista de Castelo, toda a artilharia divisionária concentrará
seus fogos sobre as faldas e o cume do monte. Estamos disparando com
canhões de 105, 155 mm e morteiros.
Às
15:5h, escuto do General Cordeiro que, até aquele instante, calculava
já ter gasto uns 8 milhões de cruzeiros de munição com os disparos da
sua artilharia.
Às
15:30h o Major Uzeda diz pelo rádio: Meus homens estão prontos para
atacar. Olho pelo binóculo que me emprestou o Coronel Miranda Correia e
vejo, lá em cima, no 930, os soldados em formação de ataque, esparsos
pelos pequenos vales e deitados na pouca neve que o sol ainda não
conseguira mandar embora.
Entre
15:30h e 15:50h há uma relativa calma: somente os morteiros nazistas,
os aviões mergulhando nas faldas de Toraccia e um teco-teco brasileiro,
plácido como uma asa estendida, que navega solitário sobre o campo de
luta. O PO do General Cordeiro de Faria fica localizado numa elevação de
terreno - lá embaixo, é o vale que nos separa de Castelo, e aqui atrás,
seiscentos metros distante, está localizado um dos grupos de nossa
artilharia. Quando suas peças disparam, há um violento estremecimento de
toda a casa, e xícaras e copos trepidam na mesa com um barulho
cristalino. Os paisanos que aqui residiam, neste chalé amarelo, foram
expulsos pela guerra e parece que não tiveram tempo de levar suas
coisas. Os móveis estão intactos, há litogravuras nas paredes, um Cristo
desalentado e pálido, fotografias de cavalheiros fardados e senhoras em
trajes de inverno. Num dos cantos da sala onde o general colocou sua
luneta, descubro um ricordo nuziale cercado por uma moldura dourada. Ali
se recorda que, no dia 11 de dezembro de 1927, numa igreja de Bolonha,
se consorciaram Dino Bettochi e Caterina Cionni. Uma paz distante.
Às
16:3h o Coronel Franklin informa pelo rádio que seus homens ocuparam
Fornelo, à direita de Castelo e próximo ao seu cume. Tratava-se de um
ponto forte inimigo, eriçado de metralhadoras, que foi dominado pelos
nossos soldados. Fornelo foi um dos pontos em que foram barrados, em
novembro e dezembro últimos, os anteriores ataques brasileiros contra a
montanha tão cruel. Continua progredindo o batalhão do Coronel Franklin.
Sem
dúvida alguma, o instante mais sensacional de toda a luta do dia 21
aconteceu às 16h 20min, quando toda a artilharia divisionária concentrou
seus fogos sobre Castelo. Já havia lá fora qualquer coisa da noite, e
os obuses explodiam em chamas altas, que o binóculo me mostra, tão
próximas e reais.
As
faldas do monte estão cavadas e lá em cima o cume ficou transformado
numa cratera de vulcão em erupção. O Major Uzeda avança protegido pela
função dos tiros de fuligem, e nossas metralhadoras estão trabalhando
ativamente. Aqui dentro, ninguém diz nada. O general colocou
definitivamente os olhos na luneta, e seus dedos - vejo bem - alisam
automaticamente um pedaço da mesa. O Coronel Correia diz num fiapo de
voz:
"Todo mundo está andando..."
- Às 17:40h os homens do Major Uzeda alcançam Esperança, outro ponte forte nazista no setor 930.
Às
17:45h o General Cordeiro de Faria afasta-se das lunetas, vira-se para
mim e diz: "Praticamente Castelo está conquistado." Chegam também
informações sobre a situação dos americanos: eles não conseguiram ainda
tomar Toraccia, e o avanço brasileiro sobre Castelo terá que ser feito
com aquela estratégica posição ainda em mãos dos nazistas.
-
Às 17:50h a voz do Coronel Franklin vem, forte pelo rádio: "Estou no
cume do Castelo." E pede fogos de artilharia sobre pontos inimigos além
do monte. "Castelo é nosso", diz-me o general. Mais três minutos, e as
baterias estão canhoneando Caselina, Serra e Bela Vista. Os nazistas
respondem com morteiros. Mas nada mais adiantaria, porque, como me diria
no dia seguinte o Coronel Franklin, "estamos em Castelo e ninguém mais
nos tira daqui."
São
mais de sete da noite quando seguimos, eu e o fotógrafo Horácio, pela
estrada deserta e fria a caminho do nosso jipe que ficou distante. Nossa
artilharia continua incansável. O Castelo está bem a nossa frente, mas é
agora uma coleção de faldas amansadas. Já não nos domina com suas
casamatas, já não vigia implacável nossos caminhos e estradas, já não
nos persegue com seus mil olhos nazistas. É um morro brasileiro, e
amanhã estarei lá em cima, junto com os pracinhas vitoriosos, passeando
pela sua arrogância domada."
"Na Segunda Guerra Mundial, a atuação da Força Aérea Brasileira - FAB, com a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação – 1ª ELO, subordinada à Artilharia Divisionária do 2º Escalão da Força Expedicionária Brasileira -FEB, no “Front” do Teatro de Operações do Mediterrâneo, na Itália, possuía a missão de observação do setor da linha de contato com o inimigo e a regulagem dos tiros de artilharia da FEB, voando em avião de treinamento primário e desarmado, o conhecido Piper Cub ou melhor o famoso “Teço-Teco”, impondo sua presença na frente de combate; podendo ter a surpresa de um ataque alemão. Organizada como uma Unidade composta de elementos de duas forças brasileiras, sob comando único.
Seu efetivo formado por elementos da Força Aérea Brasileira e da artilharia da Força Expedicionária Brasileira, os primeiros eram os pilotos e mecânicos dos aviões e os segundos, os observadores aéreos e os motoristas das viaturas (pessoal de apoio). A observação e a correção do tiro eram feitas com o avião sobre o objetivo inimigo, que tanto podia ser um depósito de munição, uma concentração de tropa ou um comboio de munição. A altitude do vôo era sempre a suficiente para fugir ao alcance da artilharia antiaérea do inimigo. As coordenadas, para a correção dos tiros da “Poderosa” (a Artilharia), eram transmitidas pelo rádio, diretamente do observador para a central de tiro.
“A rapidez e o desenvolvimento dos engenhos da guerra moderna exigiram da Artilharia, a arma do projétil, meios próprios que se sobrepuseram ao terreno e ao clima, e que orientassem, com segurança, precisão e oportunidade, os seus tiros através das linhas inimigas. E foi no modesto e frágil avião de turismo, transformado agora em olhos perscrutadores e audazes, que se encontrou a solução de tão magno problema, pois o seu emprego estava sujeito a várias exigências técnicas, como pouca velocidade, fácil manobra no campo e estabilidade no ar.”
Dizer do seu trabalho nesta Campanha é cantar um hino ao destemor e à noção do dever dos aviadores e artilheiros que a constituem.
Não houve mau tempo, não houve neve, tão pouco acidentes e pistas impróprias, das quais às vezes não podiam regressar, que arrefecessem o ânimo e a disposição de seus componentes.
Destinados a regular o tiro das baterias, sobrevoando a zona das posições, sem ultrapassar os nossos elementos, a eles se pediu, também, a vigilância do campo de batalha, e em avião impróprio e desarmado penetravam a fundo no terreno inimigo, enfrentando uma defesa antiaérea para a qual não estavam preparados.
Asseguro-vos, assim, que sois credores da admiração de todos os chefes, da amizade de vossos camaradas e do reconhecimento de vossos patrícios, e que a vitória do BRASIL muito depende de vosso trabalho e abnegação."
FAB - A Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra
com a 1ª ELO
com a 1ª ELO
"Na Segunda Guerra Mundial, a atuação da Força Aérea Brasileira - FAB, com a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação – 1ª ELO, subordinada à Artilharia Divisionária do 2º Escalão da Força Expedicionária Brasileira -FEB, no “Front” do Teatro de Operações do Mediterrâneo, na Itália, possuía a missão de observação do setor da linha de contato com o inimigo e a regulagem dos tiros de artilharia da FEB, voando em avião de treinamento primário e desarmado, o conhecido Piper Cub ou melhor o famoso “Teço-Teco”, impondo sua presença na frente de combate; podendo ter a surpresa de um ataque alemão. Organizada como uma Unidade composta de elementos de duas forças brasileiras, sob comando único.
Seu efetivo formado por elementos da Força Aérea Brasileira e da artilharia da Força Expedicionária Brasileira, os primeiros eram os pilotos e mecânicos dos aviões e os segundos, os observadores aéreos e os motoristas das viaturas (pessoal de apoio). A observação e a correção do tiro eram feitas com o avião sobre o objetivo inimigo, que tanto podia ser um depósito de munição, uma concentração de tropa ou um comboio de munição. A altitude do vôo era sempre a suficiente para fugir ao alcance da artilharia antiaérea do inimigo. As coordenadas, para a correção dos tiros da “Poderosa” (a Artilharia), eram transmitidas pelo rádio, diretamente do observador para a central de tiro.
Como
era de praxe, toda Unidade que se prezava tinha o seu distintivo,
quando da chegada ao Teatro de Operações, utilizando inicialmente a 1ª ELO,
o desenho de um gafanhoto, que era o apelido que os americanos davam às
Unidades de Observação de Artilharia (os grasshoppers), posteriormente
foi substituído, pelo emblema idealizado pelo Capitão Aviador Fortunato
Câmara de Oliveira, piloto do 1° Grupo de Aviação de Caça.
O emblema foi idealizado com a seguinte heráldica: O Oficial – o
piloto; O binóculo – o observador na sua constante vigília; O canhão – a
“Poderosa Artilharia”; As asas – a Força Aérea Brasileira; As nuvens brancas – a paz, tão desejada; O Azul – a imensidão do céu.
Durante a campanha, operou a 1ª ELO em diversas Bases, conforme o andamento das Linhas de Frente, tais como: Pisa, Vila Real de Caça do Rei da Itália (San Rossore); Pistóia (Base de San Giorgio); Suviana; Porreta Terme; Piacenza; Montechio Emí lia e por último na Base de Portalbera. Terminado a guerra e juntamente com a missão da tropa de ocupação, a Esquadrilha continuou a prestar serviços a FEB, realizando vôos de ligação e serviço de transporte de correio, entre as cidades de Milão e Alexandria.
Por haverem realizado mais de 35 missões aéreas sobre território inimigo, tanto os Oficiais da FAB, como os Observadores da FEB, receberam do Governo americano a condecoração “Air Medal”, entregue pelo General Truscott, Comandante do 4º Corpo de V Exército Americano.
Expressam-se assim, alguns números, do trabalho efetuado pela
esquadrilha: 1.282 h 50 min – horas voadas em missão de guerra; 684
missões de guerra; 2.399 aterragens; 400 regulagens de tiro; 184 dias
operacionais.
“A rapidez e o desenvolvimento dos engenhos da guerra moderna exigiram da Artilharia, a arma do projétil, meios próprios que se sobrepuseram ao terreno e ao clima, e que orientassem, com segurança, precisão e oportunidade, os seus tiros através das linhas inimigas. E foi no modesto e frágil avião de turismo, transformado agora em olhos perscrutadores e audazes, que se encontrou a solução de tão magno problema, pois o seu emprego estava sujeito a várias exigências técnicas, como pouca velocidade, fácil manobra no campo e estabilidade no ar.”
Nasceu, assim, esse órgão novo e eficiente, entre nos batizado de Esquadrilha de Ligação e Observação e elemento integrante da Artilharia Divisionária.
Dizer do seu trabalho nesta Campanha é cantar um hino ao destemor e à noção do dever dos aviadores e artilheiros que a constituem.
Não houve mau tempo, não houve neve, tão pouco acidentes e pistas impróprias, das quais às vezes não podiam regressar, que arrefecessem o ânimo e a disposição de seus componentes.
Destinados a regular o tiro das baterias, sobrevoando a zona das posições, sem ultrapassar os nossos elementos, a eles se pediu, também, a vigilância do campo de batalha, e em avião impróprio e desarmado penetravam a fundo no terreno inimigo, enfrentando uma defesa antiaérea para a qual não estavam preparados.
Durante
muito tempo e desde a nossa chegada à região do vale do Reno, eram os
únicos olhos que a Divisão possuía, além do conjunto de alturas que
queríamos conquistar; seu vôo desassombrado obrigou continuamente o
inimigo a se manter em silêncio e imóvel, receoso do tiro certeiro de
nossa Artilharia, cuja ajustagem sempre conduzia com absoluta perfeição.
Eia pois, camaradas aviadores, artilheiros, mecânicos e todo o pessoal
da ELO: com o esforço
por vós despendido, na conservação do material sempre em condições de
vôo e no cumprimento de missões que todos os dias vos são atribuídas,
tendo cooperado, grandemente, para a exaltação das armas brasileiras na
luta árdua e rude que estamos empreendendo ao lado das Nações Unidas.
Asseguro-vos, assim, que sois credores da admiração de todos os chefes, da amizade de vossos camaradas e do reconhecimento de vossos patrícios, e que a vitória do BRASIL muito depende de vosso trabalho e abnegação."



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